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Roteiros Turísticos

Passadas - A Arquitetura do Olhar

Passadas - A Arquitetura do Olhar

Cidade: Garibaldi

Tema: Turismo Cultural

A pé, de carro, de Tim Tim... Importante é olhar...

Mascates, tropeiros, religiosos, artesãos, ferreiros; italianos, franceses, sírio-libaneses...O florescimento do comércio em uma das principais estradas do sul do país, a Buarque de Macedo, fez com que o centro se tornasse rico e luxuoso. Grandes casarões de alvenaria, em um total de 34 prédios, construídos nos meados de 1900, ornamentados com os mais delicados detalhes, destacando-se as figuras infantis e femininas.

O passeio é feito com acompanhamento de um condutor de turismo local e pode ser feito a pé ou com um caminhão de guerra adaptado para o transporte de turistas com capacidade de 40 lugares. Cabe ressaltar que esse passeio também pode ser feito a noite, pois todos os prédios têm iluminação especial.

Ruas centrais de Garibaldi.

Prédios a serem observados:

Antiga Delegacia - Construído na década de 30, este prédio sediava a antiga delegacia de polícia de Garibaldi. Apresenta arquitetura militar. Para este lugar eram levados os bandidos de crimes comuns e até bêbados, que dormiriam ali uma noite antes de voltarem para casa. Hoje é parte do conjunto da Prefeitura.

Antiga Prefeitura Municipal - Outra obra dos Engenheiros Mazzini, foi construída na década de vinte para substituir um prédio anteriormente construído, no mesmo estilo. Atualmente, é a sede da Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio de Garibaldi. Há muitas histórias referentes a este prédio, inclusive a da grade que existe nas escadas, que foi colocada pelo intendente Acauan, na revolução de 23. Os maragatos invadiram Garibaldi, e de medo de que chegassem ao Gabinete, o intendente ordenou a colocação desta grade. A invasão ocorreu, houveram trocas de tiros e arruaças, ainda lembrada pelos moradores locais. Os maragatos invadiram o clube “Borges de Medeiros” (onde hoje encontra-se o Salão Rex Populi) e desfilaram pela cidade com a imagem de Borges amarrada à cauda de um cavalo, além de terem também invadido a central telefônica (localizada onde hoje está o conselho tutelar), e arremessaram a mesa telefônica para o meio da rua.

Banco da Província - Esta casa, onde atualmente encontra-se o Banco Santander, foi construída na década de 20 e pertencia a família Mereb. Devido a uma grande crise financeira que ocorreu neste período, a família perdeu parte de seus bens para o Banco, inclusive a casa. Sua arquitetura foi bastante alterada.

Bar da Sabedoria - Localizado na Rua Dr. Carlos Barbosa, este curioso estabelecimento sempre funcionou como armazém de secos e molhados. Localizado próximo ao Hospital, é quem abastece os médicos, pacientes e acompanhantes de coisinhas elementares, e ainda hoje preserva características de armazém: há de tudo, desde erva-mate, curativos, cigarros, canetas, abridores de garrafa, isqueiros, etc. O nome de “Bar da Sabedoria” surge em 1985, quando um grupo que fez deste local o seu ponto de encontro. Motivados por assuntos polêmicos, fofocas, discussões políticas e esportivas, esta turma de senhores batizou assim este bar, pois “ali se ficava sabendo de tudo e de todos”. As conversas seguiam da tarde a noite, onde a viola era tocada junto a um bandoneon, e até churrasquinho saía na beira da calçada. O prédio se mantém original, principalmente, pelo conservadorismo de Mantelli, proprietário e carinhosamente “acusado da morte de seus freqüentadores devido ao fornecimento de trago”. A única melhoria do prédio feita até o momento foi o acréscimo de um toldo e de pinturas publicitárias.

Baratilho de Lourenço Mottin - Grande casa comercial da cidade de Garibaldi, pertencente a Lourenço Mottin. Natural de Garibaldi, o qual foi mascate por muito tempo entre São Paulo e Belo Horizonte, representando a Fracalanza, voltando para o sul quando começa a trazer as sementes de hortaliça de Carlos Coradill. Adquiriu, então, um prédio muito bonito situado na esquina da Buarque de Macedo com a Dr. Carlos Barbosa, onde instalou seu armazém de secos e molhados. Ali tinha de tudo mesmo: hortaliças, verduras, sal, pó de gafanhoto, chapéus, louças esmaltadas, mantas e agulhas uruguaias, rapadura, penicos, com grande destaque para as balinhas que a esposa do sr. Mottin enrolava com grande habilidade. Seu Lourenço era muito conhecido em Porto Alegre, onde comprava seu estoque e pagava a vista, sendo que seu nome “Baratilho” origina destas enormes compras: arrematava todo o refugo de uma confecção (chapéus, louças, etc...) e vendia muito barato na cidade de Garibaldi. Auxiliou a muitas pessoas, sempre afirmando que “estas voltariam a seu estabelecimento quando tivessem dinheiro para gastar”. O estabelecimento encerrou suas atividades no final da década de 1970. (Fonte: Hugo Mottin, filho). Junto à casa existia uma bica d’água, que abastecia muitas das residências do centro da colônia. Esta bica abastecia alguns tanques que existiam no Hotel Casacurta (abaixo do que hoje é a “Eletrônica Polita”), onde a água abastecia os cavalos e era usada para consumo. Na salinha pequena, ao lado da parte principal do prédio, antes de ser Baratilho, encontrava-se o correio de Garibaldi.

Capela dos Capuchinhos - Construída na década de 30 por Agostinho Mazzini, esta delicada capela é réplica de um templo da cidade de Anecey, França. É singela devido à filosofia de vida dos capuchinhos, sendo que os capuchinhos de Garibaldi são os únicos no Brasil a terem vindo da França. Seus altares laterais relembram o tempo onde o Padre rezava a missa de costas para os fiéis, e como ali existia a faculdade de Teologia, haviam diversos mini altares para que cada frei rezasse sua missa.

Casa Ambrósio Toniazzi - Construída por Ambrósio Toniazzi, sempre foi casa comercial. Funcionou como alfaiataria e barbearia, sendo que o alfaiate principal era o sr. João Pizzolli. No porão, todo em pedra com arcos, funciona uma antiga sapataria, que até hoje preserva ferramentas e hábitos dos primeiros sapateiros. Neste prédio, que se encontra restaurado, o grande destaque são seus detalhes: dois meninos, um de expressão bastante séria (como se estivesse com medo da altura) e o outro de expressão mais tranqüila. Os dois seguram correntes, além de sua porta em madeira ainda ser original, totalmente trabalhada em madeira de qualidade. É no conjunto da Buarque de Macedo, uma das mais belas e conservadas edificações.

Casa Antônio Koff - Construído em 1923, restaurado, é hoje um dos mais charmosos prédios da Buarque de Macedo. Foi construído em virtude da necessidade de ampliação dos negócios de Antônio Koff, importante negociante sírio que imigrou para o sul do Brasil, sendo ali comercializados tecidos e confecções em geral. Em virtude das diversas guerras que ocorreram no início do século passado, muitos imigrantes do oriente médio escaparam para o Brasil em busca de melhores condições de vida, evitando assim o serviço militar obrigatório. Seu ofício normalmente era o de mascate , no qual os artigos principais eram os tecidos e confecções. E assim foi a história dos primeiros imigrantes sírio libaneses que chegaram a Garibaldi: André Pedro e Antônio Koff (irmãos) e Moisés Mereb. Chegaram à colônia sozinhos e, após três anos, vieram suas esposas. Júlio Mereb (filho de Moises), afirma que as viagens de navio duravam cerca de 30-45 dias. Praticavam suas atividades por toda a região da serra e, após alcançarem um considerável capital, fixaram seus estabelecimentos em lindos casarios que ainda hoje encontram-se no centro de Garibaldi.

Casa Cirilo Zamboni - Cirilo Zamboni chegou a Garibaldi com 33 anos. Foi o primeiro imigrante italiano a se instalar em Conde D'Eu e iniciar o desenvolvimento desta comunidade. Quando chegaram a Garibaldi, os imigrantes foram encaminhados a Barracões, onde ficariam hospedados e iniciariam sua nova vida. Estes barracões situavam-se em um terreno próximo a atual praça das Rosas, nos fundos da Casa Toniazzi. Em seguida iniciou-se a distribuição dos lotes e a cidade começa a se desenvolver nas proximidades dos barracões. Cirilo Zamboni adquire, então, de Jacinto Pereira, um terreno onde hoje é a Rua Buarque de Macedo e constrói sua casa, no ano de 1899, sendo que a sala da frente foi utilizada para comércio e tipografia.

Casa Dal Bó - Em completo estilo colonial, construída antes de 1900, é uma das casas de maior importância histórica da cidade de Garibaldi. Localizada na Rua Dante Grossi, até pouco tempo ainda eram visíveis as marcas de balas da revolução de 1923 em suas paredes, pois Vicente Dal Bó, seu proprietário, era Maragato. Pertencia a Miguel Nejar, cunhado de Júlio Mereb. Foi o ponto de chegada das irmãs de São José a Garibaldi, onde estiveram hospedadas e desenvolveram a 1ª Escola do município. Funcionou como farmácia, hospital (na época “Casa de Saúde”), sub intendência, delegacia e cadeia, até 1939. Hoje o prédio encontra-se reformado, porém levemente descaracterizado.

Casa Deconto - Um dos mais delicados prédios da Buarque de Macedo, a Casa Deconto constitui-se em um marco visual muito significativo para a paisagem local. Está situado em uma esquina, onde há o encontro de três ruas (formando a ponta de uma seta), a Borges de Medeiros, Arduino DArrigo e Buarque de Macedo. Foi construída em 1920, pela família de Angelin Paganelli. Sua ampla parte térrea era bastante usada para atividades comerciais: de um lado desenvolvia-se o armazém de secos e molhados e loja de tecido; na parte da Rua Borges de Medeiros, funcionava o Café Paganelli, famoso por suas histórias e conversas. Era ponto de encontro da juventude da época e dos homens mais velhos, e naqueles balcões era falado sobre todos os assuntos, fofocas e piadas. De sua sacada foram proferidos, também, muitos discursos políticos.

Em 1930, este prédio foi adquirido pelos irmãos Deconto e seguiram-se as atividades comerciais, principalmente a Loja de Confecções e Armazém. Este prédio encontra-se em bom estado de conservação, original, sendo que no segundo piso ainda reside a Sra. Deconto. Além do mais, a sala onde funcionava a loja de tecidos encontrava-se (até dezembro de 2001), com a mobília original do armazém e uma linda vitrine esculpida em madeira.

Casa do Pasto - Inicialmente o prédio foi um hotel onde eram feitos banquetes, festas, casamentos, batizados e outras comemorações. Forneciam comida para festas e banquetes na União de Moços Católicos. Foram realizadas lá as festas de casamento de Olga Casacurta Soldatelli e Hugo Mottin, além do batizado de Breno Koff. No sótão existiam duas acomodações ocupadas pelos integrantes das bandas de música. Havia um pátio grande onde ficavam os cavalos. O costume era aos domingos, após a missa e após o cinema, os homens virem saborear uma tripada. Quando fechou o hotel, a família Zorzi abriu um café com jogos de bilhar e armazém de secos e molhados, miudezas, como tricô e crochet. Alguns hóspedes do hotel: Sr. Valduga, Clóvis Giordani e Fermino Gava. Nos domingos as moças faziam um passeio a cavalo até a linha Araripe. Mais tarde, chegaram as diligências que faziam o trajeto Montenegro/Bento Gonçalves. Finalmente surgiu o 1° carro de praça, de propriedade do Sr. José Zorzi, e o motorista era o Sr. Ângelo Picolotto. Então as moças trocaram o passeio a cavalo pelo de carro de praça; o preço pago era de 03 tostões por pessoa. Além disto, iam ao cinema, no Cine Odeon (hoje Cine Rex), pois embaixo do cinema funcionava o salão de bailes. O prédio Continua a pertencer a família Zorzi. Estas informações foram gentilmente prestadas por D. Alice Zorzi que tem 90 anos e reside no prédio.

Casa Fortunato Chesini - Nesta casa, iniciou-se a Cooperativa Vinícola Garibaldi. Havia todo o equipamento para elaboração de vinhos, engarrafamento bem como o depósito, sendo que o recebimento se dava pela parte onde há a sacada hoje, no lado direito. Havia também o engarrafamento da Cooperativa. Sr. Dante tem 88 anos e ainda vive na residência.

Casa Giuseppe Sciessere - Este belíssimo prédio pertenceu a família de Giuseppe Sciessere, sendo construída em 1922. Foi, além de residência da família, ourivesaria. Conta-se que Giuseppe teria “poderes de fazer os móveis levitarem”, e que praticava suas atividades no sótão da casa, onde as crianças da casa eram proibidas de entrarem. Após a morte de Giuseppe, a casa foi vendida para Raul Mottin, e foi usada para moradia. Hoje, restaurada, pertence a Plínio Lorenzi e ali funciona o Jornal Garibaldense.

Casa Koff & Nehme - Esta casa, construída em 1923 e de projeto do Engenheiro Valentim Maffaziolli, pertencia a André Pedro Koff. O principal objetivo de construção deste prédio foi a questão comercial, tendo em vista que a família Koff se caracterizou pelas atividades comerciais que aqui desenvolveram. Em 1955, este prédio foi adquirido por João Nehme, também descendente de sírios, que desenvolveu ainda mais o comércio de confecções de alta qualidade no centro de Garibaldi. Atualmente, este prédio encontra-se reformado; manteve-se sua fachada (com algumas modificações) e acrescentou-se ao projeto um amplo prédio comercial, a Galeria Koff Nehme. (ver histórico da Casa Antônio Koff)

Casa Luigi Toniazzi - Caracterizada pelo seu estilo colonial, esta casa foi construída por Luiz Toniazzi, imigrante oriundo da Itália no ano de 1893, falecido em 1915. Esta casa é considerada muito especial, pois é cópia fiel da que sua família possuía na cidade de Maróstica, na Itália. Funcionou no local, uma agência do Banco Pelotense, alfaiataria e agência do atual Banrisul.

Casa Paulo Chesini - Antiga Casa de Paulo Chesini, este prédio foi completamente reformado, sendo mantida somente sua fachada (com algumas modificações). Foi construída entre os anos de 1924 e 1927, pelo sr. Tuigo, para Paulo Chesini. As madeiras utilizadas vieram de seu terreno, mas foram beneficiadas em Caxias do Sul. A casa foi construída unicamente com o objetivo residencial, porém, assim que ficou pronta, Paulo resolveu abrir um bar e restaurante, e juntamente tinha cancha de bocha. Hoje funciona como Centro Comercial. Após um período, Chesini adquiriu de Jacinto Pereira esta propriedade no centro da cidade, instalando ali seu bar e pousada. (Fonte: Nadir Cattani, filha.)

Casa Ponzoni - Rica em detalhes e ornamentos, com suas belas sacadas e vidros coloridos, esta casa foi construída em 1927, pela Família Ponzoni. Foi utilizada como residência, mas nos fundos havia a marcenaria da família, a qual era especializada em móveis e esquadrias. Possui porão em pedra e sótão e, atualmente, encontra-se em estado regular de conservação. A família Ponzoni realizava excelentes trabalhos em madeira, registrando-se que lá foram feitas as portas e janelas da Mansão Mazzini.

Casa Zoppaz - A casa foi construída para residência de José Zoppaz, quando casou. Tinha cor cinza, e até os lambriquins foram feitos pelos carpinteiros construtores. José era o único fotógrafo de Garibaldi, e ali ele tinha, além de sua residência, seu ateliê fotográfico, joalheria (ourivesaria). O banco que está defronte a casa do filho pertencia ao ateliê fotográfico. As fotos de bispos que se encontram na União de Moços Católicos, bem como muitos dos quadros dos ex-alunos Maristas, ex-prefeitos, foram feitos por ele.

Pharmacia Providência - Um dos prédios mais conservados e autênticos do Conjunto de casas da Buarque de Macedo, sem dúvida alguma, é a Pharmacia Providência, de propriedade da família D'Arrigo. Caracterizada pelas aberturas do sótão na fachada, foi construída por Luigi D'Arrigo, sempre funcionou como farmácia (na época pharmacia), e nos fundos e segundo piso, a residência de sua família. É uma das construções mais antigas da Buarque de Macedo, datando de aproximadamente 1890, e registra-se que de sua sacada foram proferidos diversos discursos políticos, entre eles o de Getúlio Vargas e Borges de Medeiros.

Informações:

Centro de Informações Turísticas

Rodovia RST 470 Km 228

Atendimento diário, das 9h às 17h.

Fone: (54) 3464-0796

Secretaria Municipal de Turismo

Rua Júlio de Castilhos, 254.

Atendimento de segunda à sexta, das 8h às 11h30min e das 13h30min às 17h.

Fone: (54) 3462-8235.

E-mail: turismo@garibaldi.rs.gov.br

SITE: www.garibaldi.rs.gov.br

Galeria de Fotos

  • Casa Koff - Acervo Prefeitura Garibaldi
  • Arquivo Histórico Municipal - Acervo Prefeitura Garibaldi
  • Mansão Mazzini - Acervo Prefeitura de Garibaldi
  • Museu Municipal - Acervo Prefeitura de Garibaldi
  • Prédio Centro Histórico - Acervo Prefeitura de Garibaldi
  • Prédio Centro Histórico - Acervo Prefeitura Garibaldi
  • Prédio Igreja Capuchinhos - Acervo Prefeitura de Garibaldi
  • Prédio Histórico - Acervo Prefeitura de Garibaldi
  • Prédio União de Moços Católicos - Acervo Prefeitura de Garibaldi
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