Uva e Vinho

Antônio Prado

Antônio Prado

A imigração italiana para o Rio Grande do Sul ocorreu entre os anos 1875 e 1914. Antônio Prado foi a sexta e última colônia imperial a ser criada na Serra Gaúcha.

A migração interna de colonos italianos, especialmente do Campo dos Bugres (Caxias do Sul), e a chegada de novas famílias de imigrantes, exigiram do governo provincial a destinação de novas terras para serem ocupadas. O território escolhido situava-se à margem direita do rio das Antas e passou a ser chamado de Paese Nuovo pelos recém-chegados.

Os imigrantes que aqui chegavam provinham da região norte da Itália, Vêneto, da província de Vicenza, Treviso, Beluno e Údine. Também o território recebeu imigrantes Suecos, Lituanos e Poloneses.

Os mesmos estabeleceram-se ao chegar em barracões coletivos, alojamentos precariamente construídos para abrigo. Permaneciam nestes locais até que houvesse a destinação do lote e a construção de suas casas, através da derrubada da mata.

O município inicialmente foi colônia de Vacaria, situada nos campos de cima da serra. Em 1886, o engenheiro chefe da Comissão de Medição de Lotes Bacharel Manuel Barata Góis, enviou à Província de São Pedro, do Rio Grande do Sul, um ofício informando o orçamento com as prováveis despesas para o assentamento de imigrantes na nova colônia. Desta ocasião, também sugeriu para que a nova colônia recebesse o nome do Ministro da Agricultura do Império, Antônio da Silva Prado, que exercia importante influência no Parlamento para a criação de novos núcleos coloniais no Rio Grande do Sul.

Antônio Prado foi constituído município em 11 de fevereiro de 1899, por decreto n.º 220, separando-se de Vacaria, do qual pertencia como 5º distrito, e apresentando grandes apontamentos para total ascensão no setor da agricultura e do comércio.

PROCESSO DE ESTAGNAÇÃO

No início do século XX, as cidades cresceram, ganharam forma e tomaram conta do espaço rural e urbano. A estrutura urbana estabeleceu-se para suprir necessidades dessa comunidade, favorecendo o crescimento no número de casas de madeiras, com diferencial na construção, pois o térreo era usado como comércio, o superior para a família, em geral numerosa, muitas casas também possuíam sótão e algumas tinham porão de pedra com chão batido que garantiam a qualidade do vinho produzido pela família.

Antônio Prado contava com um comércio intenso, graças à estrada Júlio de Castilhos, inaugurada em 1902. Esta ligava Farroupilha (nova Vicenza na época) a Vacaria passando por 5 municípios incluindo Antônio Prado. Neste período Antônio Prado já contava com uma indústria avançada, uma dezena de hotéis, pousadas, casas de pasto2, fruto do intenso comércio que utilizava a estrada para o transporte de mercadoria. (Roveda, 2003)

Diante disto, iniciaram as tratativas para a construção da primeira ponte sobre o Rio das Antas, pois até então a travessia era feita por balsa o que impunha algumas limitações, como: espaço, peso, segurança, tempo disponível, e condição climática, pois se chovia demasiado o rio elevava e impedia a passagem, muitas vezes, por várias semanas. (Roveda, 2003)

A construção da ponte de metal encomendada da Alemanha, sobre o Rio das Antas beneficiaria principalmente Antônio Prado. Vacaria e Caxias do Sul também tinham interesse, pois formaria um grande centro de comércio, facilitando a comunicação e acesso das três colônias.

Contudo, surgiram divergências políticas quanto ao local destinado à ponte, que acabou indo para Criúva, distrito de Caxias do Sul. Dando assim, inicio a estagnação do município.

A ponte sobre o Passo Zeferino foi novamente solicitada pela população, e somente em abril de 1965 foi dado inicio a construção. Sendo inaugurada em 2 de junho de 1968, mais de sessenta anos após o desvio da primeira ponte.

Mas Antônio Prado sofreu mais um golpe político. A estrada Júlio de Castilhos que atravessava em direção ao centro do país, até o final de 1930, era a principal via de escoamento da produção. A partir desta data foi aberta a então BR-2 (hoje BR-116) que sob novo traçado deixou Antônio Prado fora do grande tráfego rodoviário do País. Não demorou muito, Antônio Prado viu seu comércio falindo, hotéis fechando e famílias inteiras deixando a comunidade para fugir do isolamento que condenava o município à estagnação.

O isolamento acabou por prejudicar a indústria, o comércio e a educação, provocando êxodos urbano e rural, tornando-se impossível impedir a saída dos imigrantes, pois estes iam em busca de mais trabalho e estudo em outras localidades.

Outro fato que marca o êxodo e a estagnação de Antônio Prado foi um conflito ocorrido em 25 de maio de 1936, quando colonos protestavam na Praça Garibaldi contra o aumento dos impostos. Esse confronto marcado por tiroteio resultou em mortos e feridos, acabou por manchar a cidade de sangue e tornou os colonos alvo de ameaças e perseguições.

Este isolamento de décadas acabou em proporcionar a preservação do conjunto arquitetônico urbano da colonização italiana no Brasil, único no País. Esta preservação pode ser vista como um grande diferencial do desenvolvimento turístico no município, que tem no patrimônio material o seu principal roteiro caracterizado como turismo cultural, agrega-se a isso os modos de fazer e viver da comunidade através do seu patrimônio imaterial.  

Para maiores informações sobre a cidade, acesse o web site oficial do município pelo endereço http://www.antonioprado.com.

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