Durante todo o mês de setembro, documentário e exposição fotográfica chamada “Invernada dos Negros” será apresentada em Antônio Prado. A promoção é do Projeto Memória e a Nordeste Alimentos, com apoio da Câmara de Vereadores e da CIC- Antônio Prado.
A abertura oficial será na próxima quinta-feira, 1º de setembro, às19h30min, no auditório do Clube União. Depois, a Invernada dos Negros seguirá em exibição no Centro Cultural Projeto Memória, Casa Grezzana (av. dos Imigrantes, 163), de quarta à sábado, das 14h às 18h e nos domingos, das 9h30min às 12h e à tarde, das 13h30min às 17h. Estarão em exposição 35 fotografias, em preto e branco, revelando rostos e ambientes da cultura afro-brasileira, além do documentário, feito durante a produção fotográfica.
O presidente da Câmara de Vereadores, Gilmar Soares, disse que apoiar projetos como a Invernada dos Negros é fundamental para resgatar todas as culturas que formam a história dos pradenses. “Somos uma mistura de valores, cultura, cores e história. Tudo isso precisa ser resgatado, mostrado, e ensinado”, enfatiza Gilmar.
Neste sentido, o vereador Pedro Valdecir da Silva Dutra (PDT), também descendente afro-brasileiro, está elaborando um Projeto de Lei que irá instituir, em Antônio Prado, o dia da Consciência Negra. No Brasil, a data já é celebrada no dia 20 de novembro. A lei Nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, instituiu a data no calendário e tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
Invernada dos Negros
De acordo com o conceito do Projeto “Invernada dos Negros” é fascinante e provocadora. Ele explica que os negros escravos e seus descendentes desenvolveram uma linguagem particular, na tradição da palavra falada. “A invernada, palavra nascida de tempo e de espaço de inverno, era usada para definir um lugar de criação, onde o gado se protegia do frio, da geada e do minuano”.
Segundo registros, o fazendeiro Matheus José de Souza e Oliveira, em 1876, deixou, por testamento, para seus escravos, a terça parte de suas terras. O testamento estabelecia que as terras não poderiam ser vendidas ou divididas, assim passando de pais para filhos. Mas, nos anos 40, do século passado, os herdeiros da invernada obtiveram a divisão das terras, descumprindo a vontade do antigo senhor. O que veio depois, foi um longo inverno da Invernada dos negros.
























